USAID: O Lado Oculto da Agência de Assistência dos EUA
Criada em 1961 pelo presidente John F. Kennedy, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) nasceu com a promessa de fornecer assistência humanitária e financeira a países estratégicos. Seu objetivo declarado era fortalecer aliados e promover o desenvolvimento global. No entanto, ao longo das décadas, a agência esteve envolvida em diversas polêmicas, sendo acusada de agir como um instrumento de influência política e econômica dos Estados Unidos.
Mas até que ponto essas alegações são verdadeiras? Como a USAID moldou a política internacional? E o que acontece agora, com o seu possível desmantelamento?
USAID: Uma Ferramenta de Influência Durante a Guerra Fria
Desde sua criação, a USAID desempenhou um papel fundamental na geopolítica global, especialmente durante a Guerra Fria. O objetivo não era apenas fornecer assistência humanitária, mas conter a expansão do comunismo, afastando países da influência da União Soviética.
Para isso, bilhões de dólares foram distribuídos para programas assistenciais em países da América Latina, Ásia e Oriente Médio, mas sempre com condições políticas implícitas. Muitos governos que recebiam esses fundos precisavam se alinhar aos interesses americanos, o que gerou uma série de acusações de interferência política.
Interferências na América Latina
Nos anos 70 e 80, a agência foi diretamente envolvida no financiamento de grupos opositores a governos de esquerda. Um dos casos mais polêmicos foi o escândalo Irã-Contras, no qual recursos da USAID foram usados para financiar grupos paramilitares na Nicarágua, visando desestabilizar o governo sandinista.
Outro exemplo ocorreu em El Salvador, onde a agência canalizou milhões de dólares para fortalecer governos alinhados aos interesses dos EUA, mesmo quando esses governos eram acusados de violações dos direitos humanos.
Atuação na Ásia e no Oriente Médio
Na Ásia, a USAID também teve um papel controverso. Durante a Guerra do Vietnã, a agência financiou programas voltados à conquista da confiança da população civil, ao mesmo tempo em que reforçava as forças sul-vietnamitas contra os comunistas do Viet Cong.
Já no Oriente Médio, a agência esteve envolvida no financiamento da reconstrução do Iraque e do Afeganistão, após as intervenções militares americanas. No entanto, investigações apontam que bilhões de dólares foram desviados ou utilizados para contratos superfaturados, beneficiando empresas privadas americanas, sem trazer melhorias reais para a população local.
Os Escândalos Recentes da USAID
Nos últimos anos, a agência enfrentou novas críticas, principalmente relacionadas ao financiamento de programas políticos e sociais.
Em 2014, foi revelado que a USAID financiou secretamente a criação de uma rede social em Cuba, chamada Zunzuneo, com o objetivo de incentivar protestos contra o governo cubano. Esse programa secreto foi amplamente criticado por utilizar recursos públicos para promover instabilidade política em um país estrangeiro.
Além disso, a agência tem sido alvo de polêmicas dentro dos próprios Estados Unidos. Grupos conservadores alegam que bilhões de dólares da USAID estão sendo destinados a ONGs e projetos progressistas, que promovem pautas como direitos LGBT e mudanças climáticas.
Essa situação se tornou ainda mais tensa durante as administrações de Barack Obama e Joe Biden, quando a agência foi acusada de canalizar fundos para a promoção de políticas progressistas não apenas nos EUA, mas também em países como o Brasil.
O Desmantelamento da USAID e as Consequências Globais
Diante das crescentes críticas, o governo de Donald Trump decidiu tomar uma medida radical: desmantelar a USAID. Em sua gestão, o presidente anunciou a fusão da agência com o Departamento de Estado, além do congelamento imediato dos repasses internacionais por um período de 90 dias.
A decisão foi acompanhada pelo fechamento de escritórios da USAID em mais de 100 países, afetando diretamente projetos de infraestrutura, saúde e assistência humanitária.
Elon Musk e a Crítica à USAID
Curiosamente, Elon Musk se tornou uma das vozes mais ativas na defesa do fechamento da agência. O bilionário alegou que a USAID desperdiçava recursos públicos e operava como um mecanismo de influência ideológica progressista. Segundo Musk, os fundos da agência deixaram de ser usados para combater o comunismo e passaram a financiar grupos de esquerda ao redor do mundo.
Se por um lado a medida de Trump trouxe economia aos cofres públicos, por outro, analistas alertam para o impacto negativo na política externa americana. Sem a USAID, os EUA podem perder sua capacidade de influência global sem o uso direto da força.
China e Rússia: Os Grandes Beneficiados?
Com o desmonte da USAID, muitos países que antes dependiam de sua assistência agora buscam novos aliados. Quem mais pode se beneficiar desse vácuo de poder? China e Rússia.
A China, por exemplo, já está expandindo sua influência por meio da Iniciativa do Cinturão e Rota, investindo bilhões de dólares em infraestrutura e assistência econômica em diversos países. Sem a USAID, a diplomacia americana pode se tornar ainda mais dependente de sanções e intervenções militares, enquanto a China fortalece suas alianças estratégicas.
A Rússia, por sua vez, pode aproveitar a oportunidade para fortalecer laços com governos que antes eram pressionados pela USAID. Isso pode resultar em um reposicionamento geopolítico significativo, reduzindo ainda mais o alcance dos Estados Unidos no cenário global.
Conclusão: O Fim da USAID Será um Retrocesso?
O fechamento da USAID gera opiniões divididas. Para alguns, representa o fim de uma agência burocrática e ineficiente, que desperdiçou bilhões de dólares em projetos politicamente motivados. Para outros, isso pode ser um grave erro estratégico, que enfraquecerá a influência global dos EUA.
Sem a USAID, muitos países perderão financiamentos essenciais para infraestrutura, saúde e assistência humanitária. Enquanto isso, China e Rússia ganham espaço para expandir suas redes de influência.
O que acontecerá nos próximos anos dependerá das próximas administrações americanas e da forma como os EUA irão reformular sua política externa sem a USAID. Mas uma coisa é certa: o cenário geopolítico nunca mais será o mesmo.
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